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dezembro 08, 2007

Derivado da Questão* entre a Avenida e o Rossio... 

Há arraial Campo Pequeno! Pelo menos durante o fim-de-semana, o Circo de Feras promete ser grande entretenimento.








*A Câmara de Lisboa certamente deve ter uma explicação para o apagão desde a Avenida da Liberdade até ao Rossio. Qualquer especialista em contas de mercearia, arranjava uma dúzia de soluções para evitar que as verbas destinada à Iluminação de Natal servissem para pagar dívidas. Que tristeza!

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dezembro 06, 2007

December Songs 


Depois de apresentarem o projecto song for the new heart no Porto e em Braga, Shahryar Mazgani (voz e guitarra), o guitarrista Sérgio Mendes e o baterista Rui Luis (ambos dos Hands on Aproach) e ainda Victor Coimbra no baixo, vão estar em concerto hoje à noite no Lounge, ao Cais-do-Sodré.

Depois de os ter descoberto graças a um amigo que com eles tem trabalhado, um "ó paizinho, `bora lá", convenceu-me. Ouçam, porque isto é bom...

Mais informação de Mazgani (que falta para termos o disco cá fora?!) e dos Hands on Aproach disponível no MySpace.
Enjoy IT!

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agosto 23, 2007

Os Mensageiros do Jazz 

ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DO JAZZ & BLUES.
Organização de Howard Mandel, com prefácio de John Scofield
Edições Afrontamento, 2006


Da escassa informação disponível em português, esta obra destaca-se naturalmente pela profundidade e riqueza das biografias de nomes maiores da história do jazz.
Vem mesmo a calhar, esta enciclopédia, nomeadamente para dinamizar o Aqui Jazz o Fado, projecto embrionário que pretende ir às origens e casamentos de duas formas de expressão musical tão diversas...
Como gostava de ter visto o Carlos Paredes ao lado do Charlie Haden no Coliseu!












As evoluções da música popular nos séculos XX e XXI foram muitas e variadas, passando-se da utilização de instrumentos rudimentares e de estruturas melódicas simples a trabalhos mais complexos e ao recurso cada vez maior a tecnologias avançadas. No entanto, é muitas vezes possível traçar as origens da música popular ocidental a partir dos seus muitos artistas e das influências das duas correntes de música afro-americana que se desenvolveram no final do século XIX: o jazz, que saía quente do caldo urbano multicultural de Nova Orleães, e o blues, vindo das paisagens rurais desoladas do Texas e do delta do Mississipi. Estas misturas de elementos da música afro-americana com o mundo cultural e social da América pós-guerra Civil foram evoluindo gradualmente a partir das suas raizes semelhantes, vindo a constituir dois géneros musicais bastante distintos e criando bases sólidas para o surgimento de outros estilos novos.





Esta Enciclopédia proporciona um olhar profundo sobre essa música poderosa e influente, com informação detalhada sobre os artistas inovadores que ajudaram a dar forma ao jazz e ao blues à medida que os estilos foram evoluindo. Organizados por décadas, todos os capítulos abrem com um texto introdutório com a informação básica essencial. As secções «Temas & Estilos» situam a música no seu contexto cultural, histórico e social e descrevem a evolução do jazz e do blues nesse período. Seguem-se as secções biográficas sobre os «Artistas de Referência» de cada década, contendo detalhes sobre faixas emblemáticas e gravações clássicas de cada um deles. Depois, em «Artistas de A-Z», apresentam-se as histórias da vida de muitos outros músicos, vocalistas, compositores, arranjadores, chefes de orquestra e produtores importantes. A secção de referências, bastante abrangente, inclui informação sobre os instrumentos do jazz e do blues, uma extensa lista de artistas, um glossário e bibliografia complementar sugerida.

Sobre a obra, recomenda-se também este artigo de Rui Branco.


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maio 14, 2007

Multiculturalismo 

Ravi Shankar & Yehudi Menuhin - West Meets East, 1967


O grande violinista Yehudi Menuhin disse uma vez que Ravi Shankar o fez descobrir sons que só conhecia em sonhos.
Só os grandes homens conseguem ser assim humildes.

Ravi Shankar & Philip Glass - Passages, 1990


Dentro de algumas semanas teremos novamente a visita de Philip Glass. Não há orçamento que aguente, livra!!!

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fevereiro 20, 2007

Vem (Além de toda a solidão) 

Vem
Além de toda a solidão
Perdi a luz do teu viver
Perdi o horizonte

Está bem
Prossegue lá até quereres
Mas vem depois iluminar
Um coração que sofre

Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar

Por isso vem
Porque me quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar


Madredeus

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janeiro 08, 2007

Happy Birthday, Mr Jones! 


David Bowie, que hoje atinge a bonita idade de 60 anos, foi - na fase final enquanto Ziggy Stardust - dos primeiros responsáveis pela decoração das paredes do meu quarto de adolescente, ao lado dos Kiss, Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath e The Who.
Também havia posters relacionados com outro tipo de sensibilidades; Enquanto os de Rock saíam da Bravo alemã, os outros dependiam da playmate do mês.

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dezembro 06, 2006

Que giro!! "A" parte ininteligível é que se calhar... 

O Bernardo Sassetti com Drumming coloca no ventilador o último trabalho do músico - Unreal: Sidewalk Cartoon - para ilustrar as personagens duma história passada sabe-se lá aonde... cujo desenvolvimento é representado por ritmos de percussão - alguns ininteligíveis -, interpretados por solistas convidados sabe-se lá por quê e pelo meio ainda tem um filme de animação tipo aqueles do Vasco Granja...
A sério! É mesmo para ir ver.






Ora bem...

Na Península de Quasi-algures, numa altura em que as modas se confundem ou deixam (por isso) de ser moda, vamos conhecer Ernesto Ductilo Benito - administrador primeiro de uma fábrica de cooperação e recuperação, na região demarcada de Cidadania-a-nova. Um dia, depois de longas horas de trabalho, o bom Ernesto encontra alguns dos seus operários de fabricação em série misteriosamente empoleirados em estranhas máquinas, muito para além das laborárias, produzindo sons musicais, de nível estético apreciável, que nunca imaginara possíveis nas suas instalações.

Deste pequeno episódio, nasce-lhe o entusiasmo, a ideia e o sonho de rearmonizar o Domínio da Música - sua principal herança de família, agora convertido num reino de anarquia, onde todos os estilos musicais se (con)fundem numa enorme sarrafusca.

Inspirado pelos estudos musicais de sua bisavó Antónia, aconselhado por um sábio bruxo, Retortilho Castraz, e apoiado por um génio inventor, Mestre Ramalho Solau, Ernesto, transforma aqueles operários idiotas (pensava ele) em luminosos elementos de sciências musicais, rumo ao conturbado Domínio da Música.

Unreal - um hino ao desenvolvimento da classe de trabalhadores, artífices e operários por conta d’outrem: música; visão; imaginação; entrega; solicitação; aventura; mistério; paixão; “Indumentária”; desventura; solicitação; desenvolvimento; entrega; música; visão; delírio; falácia; zombaria e… experiências científicas na Península de Quasi-algures.


Bernardo Sassetti, 2006




Música original e arranjos Bernardo Sassetti
Intérpretes (ao vivo) Drumming, Perico Sambeat, Alexandre Frazão, José Salgueiro, Rui Rosa, Bernardo Sassetti e músicos convidados
Participação especial Beatriz Batarda
Filme/cartoon musical realizado por Filipe Alçada e Bernardo Sassetti
Animação de Filipe Alçada baseado na história original e no trabalho de fotografia e patchwork (2003/06) de Bernardo Sassetti



Dias 14-15-21-22-23 de Dezembro no Teatro São Luiz

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novembro 29, 2006

“The Soul of Fado” 


Tributo de Guus Slauerhoff ao universo do Fado, entendido no quadro da sua plena universalidade.
O fascínio pelo fado levou-o a visitar Lisboa por várias vezes, nos anos de 2004 e 2005.
Alfama, bairro repleto de segredos históricos, e o Museu do Fado que aí se encontra, ganharam para ele um interesse primordial.
Durante as suas estadas em Lisboa, desenhou fadistas nas casas de fado e vagueou quotidianamente por Alfama, cuja ambiência conseguiu assim encontrar mais de perto.

A arte plástica de Guus Slauerhoff quer representar aquela vivência e experiência do fado, tocando-as, explorando-as, tornando-as palpáveis e visíveis como uma nova dimensão do fado.








"Os meus quadros contam uma história. São uma espécie de ícones de esperança", diz o artista no vídeo que acompanha a exposição. "Nunca houve um artista como eu que manifestasse desta forma este interesse pelo fado. Gosto de calcorrear as ruelas, de ouvir os intérpretes do fado vadio. Há sempre uma lua no céu, um cão que ladra, um galo a cantar.. Acho isto uma experiência muito valiosa. Eu sou fado, deambulo aqui como o fado, a minha vida é fado".


Paralelamente às suas pinturas, Guus Slauerhoff criou objectos com materiais que "são uma espécie de atributos da vida".








Exemplo disso são uns sapatos, que comprou por um euro na feira da ladra, e que o artista deu nova vida caligrafando neles uma letra de fado e baptizando-os de "sapatos de fado". Porque, como confessa, "o fado possibilita-nos, enquanto seres humanos, contar a poesia intensamente profunda da vida".

A Exposição The Soul of Fado (a alma do fado) inclui 18 pinturas, 14 desenhos, cinco esculturas e ainda trabalhos de colagem e de ensemblage.
De 16 de Novembro a 16 Janeiro de 2007, no Museu do Fado

fonte: JN

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novembro 13, 2006

Lisbon Underground Music Ensemble 

Com alguns dos músicos mais experientes da cena Jazz e da música Erudita, o Lisbon Underground Music Ensemble apresenta um espectáculo intenso e enérgico, rico em sonoridades que vão das mais caóticas e explosivas improvisações aos mais subtis ambientes cinematográficos.

O compositor Marco Barroso dirige esta formação de 15 músicos interpretando um conjunto de obras que atravessam os mais variados contextos estéticos; da Música Erudita, Contemporânea, ao Jazz, Rock, Funk, Transe entre outros; aliando a música escrita e a complexidade dos arranjos com a improvisação.

Biografia dos músicos:



Formação

Marco Barroso - Direcção, composição e piano
Flauta - Manuel Luís Cochofel
Clarinete - Paulo Gaspar
Sax Soprano - Jorge Reis
Sax Alto – João Pedro Silva
Sax Tenor – José Menezes
Sax Baritono - Elmano Coelho
Trompetes: Jorge Almeida/ João Moreira/Pedro Monteiro
Trombones: Luis Cunha/ Eduardo Lála/ Pedro Canhoto
Piano - Marco Barroso
Contrabaixo/Baixo Electrico - Yuri Daniel
Bateria - Pedro Silva


Concertos:
Dia 23 de Novembro às 18h30 – Trem Azul Jazz Store – Lisboa
Dia 25 de Novembro às 21h30 – Teatro Académico Gil Vicente – Coimbra

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novembro 02, 2006

Que pena não ter atingido a maioridade... 

1971: No Início era o Cascais Jazz...

Começa assim este excelente artigo publicado na Blitz deste mês e assinado por João Moreira dos Santos do Jazz no País do Improviso, para assinalar a passagem dos 35 anos sobre o primeiro grande festival de jazz em Portugal.


Pouco passava das 22h00 quando no dia 20 de Novembro de 1971 o septeto do lendário Miles Davis subia ao palco do Pavilhão do Dramático para dar início ao primeiro Cascais Jazz. Cerca de 12 mil pessoas, incluindo alguns notáveis, como Amália Rodrigues, Zeca Afonso, Alexandre O’Neil e Adriano Correia de Oliveira, assistiam nessa noite ao nascimento de um dos mais importantes eventos culturais realizados em Portugal, que até então só rivalizara em audiência com o Festival de Vilar de Mouros, realizado quatro meses antes.

Quem estava desde logo bem ciente da importância do Cascais Jazz era Miles Davis, pelo que exigiu ser o primeiro músico a tocar, como recorda João Braga: «Ele disse-me uma coisa que nunca mais me esqueci: “este é o primeiro festival de jazz em Portugal e quero ser eu a abri-lo. Os outros só podem tocar a seguir a mim”». E entre os outros encontrava-se nada menos do que Ornette Coleman, que estava previsto tocar antes e não achou graça nenhuma às exigências do trompetista.

Miles Davis estreava-se em Portugal e trazia na sua bagagem musical a sonoridade e o repertório de quatro discos: Bitches Brew, que criara a fusão entre o jazz e o rock, Black Beauty, Live at the Fillmore East e Live Evil. Quem esperava, pois, ouvir o Miles do tempo dos seus lendários quintetos dos anos 50 e 60 não podia deixar de estranhar este projecto de ruptura, claramente orientado para audiências mais jovens. Talvez por isso o mago do trompete já não usava fatos de alta-costura italiana, apresentando-se agora como uma estrela do rock. Diniz de Abreu descrevia assim no Diário Popular a sua nova indumentária: «Colete de pele preto, camisa da mesma cor, calça verde acetinada, muito justa, um lenço ao pescoço, caído em duas pontas; cinto dourado; botas prateadas; óculos escuros».

Miles subiu ao palco juntamente com Keith Jarrett (piano eléctrico), Gary Bartz (saxofone), Michael Henderson (baixo eléctrico), Don Alias e James Foreman (percussão) e Leon Chandler (bateria). A suportar a sua música predominantemente eléctrica e funky, com o trompete de Miles ligado a um pedal de efeitos (wah-wah e volume), estava um sistema de som de duas toneladas. Um dos músicos mais notados deste septeto foi o pianista Keith Jarrett, conforme noticiava o Diário de Lisboa na crítica ao festival: «(..) Um solo deste último marcou profundamente toda a assistência, absolutamente conquistada». Porém nem todos se renderam à nova sonoridade de Miles. Duarte Mendonça era um deles, como recorda actualmente: «Deixou-me um pouco perplexo porque era uma música que eu nunca tinha ouvido. Eu vinha do melhor do Miles dos anos 50/60…».

Também a peculiar atitude de Miles em palco não surpreendeu menos os jornalistas presentes. Na revista O Século Ilustrado, Maria Antónia Palla reportava: «Quando Miles pára e deixa tocar o seu conjunto, fica a um canto do palco, o corpo inclinado para a frente, as mãos fixadas nos joelhos, balançando-se como um felino selvagem pronto a saltar sobre a presa. O rosto cerrado, sem deixar transparecer a menor emoção, fixa o olhar num ponto indeterminado. (…) Numa hora passada de exibição, nem um sorriso. Como se o público não contasse, como se a multidão fosse um inimigo potencial». Já Fernando Cascais, então jornalista da revista Flama e que teve a rara sorte de ficar num canto do palco durante este concerto, escrevia: «Miles foi uma figura que impressionou a assistência. Dobrado sobre a trompete, as notas e os magníficos sons que dele saíam tinham o mistério e o timbre que tornam o seu possuidor inconfundível entre os trompetistas de jazz». João Braga era também um espectador atento ao que se passava em palco e um facto em especial chamou a sua atenção para Miles Davis: «A água que escorria das costas dele durante o concerto era algo inumano, certamente por causa das profaminas [ver caixa]. Quando ele no final do concerto chegou aos camarins nem conseguia articular uma frase».

Em noite de sons funky e eléctricos, o gigante do jazz impressionou a diva do fado. Amália Rodrigues encantou-se com Miles e Gary Bartz mas teve alguma dificuldade em compreender a sua música: "Não, totalmente não entendi. Eu sei que há qualquer coisa de vez em quando que acontece e que me toca, mas de resto não sei nada, não entendo nada de jazz. É para ver se entendo alguma coisa que eu vim ver".



De 1971 a 1980 o Pavilhão do Dramático foi uma verdadeira casa para os maiores jazzmen e bluesmen. Integrados no Cascais Jazz, por ali passaram, entre muitos outros, Jimmy Smith, Cannonball Adderley, Dave Brubeck, B.B. King, Duke Ellington, Sarah Vaughan, McCoy Tyner, Charles Mingus, Sonny Rollins, Gil Evans, Muddy Waters, Art Blakey & The Jazz Messengers, Betty Carter, Freddie Hubbard e Buddy Guy.

(...) Depois de Ornette Coleman ainda actuaram o quarteto The Bridge e Dexter Gordon. O primeiro pouco mais foi do que uma ponte para a actuação de Dexter Gordon, prejudicado por uma aparelhagem sonora que mal deixava ouvir o saxofone de João Ramos Jorge (Rão Kyao) que improvisava sobre a harmonia e o ritmo de Kevin Hoidale (piano), Jean Sarbib (contrabaixo) e Adrien Ransy (bateria).

Com a acumulação de atrasos, Dexter Gordon acabou por subir ao palco eram já três horas da madrugada… actuando perante um sala bem menos cheia. Acompanhado por Marcos Resende (piano), Jean Sarbib (contrabaixo) e Manuel Jorge Veloso (bateria), fez soar a sua música até por volta das cinco horas… Desta experiência recorda-se bem Manuel Jorge Veloso, que já em 1967 havia tocado com Dexter Gordon numa jam-session em Coimbra: «É impossível dar uma pálida ideia do que significou para mim ter pisado o palco com um músico da grandeza do Dexter Gordon, até por se tratar de um primeiro grande festival português que (já então se percebia) iria fazer história.

Mas talvez ainda mais importante do que esse momento, em concreto, foi poder conviver diariamente com ele (nos poucos dias que tivemos, para ensaiar, conhecer os segredos da música, acertar agulhas e tocar algumas noites no Hot Clube Portugal), confirmar a sua qualidade musical e descobrir as suas qualidades humanas, como músico e homem sensível, nada arrogante, paciente e incentivador, fazendo com que esta aventura – nessa época, era de facto uma aventura! – fosse afinal, para nós, uma coisa natural. Inesquecíveis, ainda, os ensinamentos e a confiança que ele nos transmitia, as histórias que contava, os seus gestos lentos, a forma como mexia o corpo, apresentava o saxofone aos que o ouviam e dizia os títulos das peças que tocava, para já não falar das sonoras gargalhadas que jamais voltei a ouvir…».

Texto de João Moreira dos Santos

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outubro 26, 2006

proposta desalinhada 


O saxofonista Paulo Curado do Lugar da Desordem, Ken Filiano no contrabaixo e Bruno Pedroso na bateria, participam na festa do segundo aniversário da Trem Azul, no próximo dia 31.


Sobre o Lugar da Desordem
No que à arte dos sons diz respeito, bem pode Paulo Curado escrever no seu blog que o Sol ainda gira em torno da Terra – ou seja, a composição continua a ter primazia sobre tudo o mais, pois permanece viva a velha noção de que os músicos, ou seja, os executantes instrumentais, não são capazes de fazer música sem um autor, aquele que determina o que se deve tocar, mas regra geral não toca ele mesmo. O saxofonista e flautista português é um dos opositores deste “status quo” a que habitualmente chamamos “improvisadores”, ainda que improvisar seja uma forma de compor e que ele também seja um compositor na acepção convencional do termo, pois prepara estruturas e formas para posterior interpretação, embora as destine a si próprio enquanto um dos intérpretes e apenas funcionem como moldes para a criatividade espontânea.
Em consequência de tal esforço, somado aos de um número cada vez maior de partidários da causa da improvisação, já vamos observando na música que a Terra começa a girar à volta do Sol.

É essa a desordem de que o nome do seu trio com Demian Cabaud e Bruno Pedroso fala, renunciando à partida um propósito de acção: libertar.
Tal desordem é a proposta por Adorno como uma terceira via entre o conceito de música programática de Stravinsky e o de Schoenberg como prática unicamente regida por leis internas, e não perdeu a sua dimensão revolucionária.
Marx e Bakunine podem ter alguma coisa que ver com o assunto, mas o grande inspirador desta alternativa é Galileu.
E porquê um trio? Porque Curado acredita que três indivíduos constituem um microcosmos da sociedade e que nesta a livre-associação é um imperativo, e porque a três já a exploração das diferenças de personalidades, formações e interesses ganha proporções bastante proveitosas quando o propósito é, precisamente, desordenar.
A questão é apresentada num texto do mentor de O Lugar da Desordem de modo muito elementar e objectivo: o importante é verificar “como soa um grupo de pessoas” (a música como factor de democracia), e não que esse grupo produza os sons que estão na cabeça de quem o coordena. Ora, saber como soam as pessoas é saber “como soa a vida”, dado que não há arte que não seja o reflexo da realidade tal como ela é.

A improvisação do trio O Lugar da Desordem tem um idioma: o jazz. Nada de mais natural, tendo em consideração que este género musical cunhou um particular relacionamento entre o que é composto (escrito) e o que é improvisado e definiu uma boa parte das próprias técnicas improvisacionais, além de que formulou um (na verdade vários) modelo estético. Curado, Cabaud e Pedroso são músicos de jazz, mas atenção ao que isso implica nos dias de hoje, sabendo que o jazz é um híbrido e que praticamente todas as tendências musicais da actualidade adoptaram algumas das suas características.
Ser “músico de jazz” vai significando que se é um músico plural, e se verificarmos o percurso de Paulo Curado é isso precisamente o que confirmamos: responsável igualmente de múltiplas bandas sonoras para desenhos animados infantis (o que quer dizer que tem boas noções quanto à eficácia de uma melodia) e para teatro (o mesmo relativamente à criação de atmosferas), ele é bem o exemplo do artista aberto e sem preconceitos.
Aliás, já o vimos e ouvimos a tocar em contexto electroacústico com seis “laptopers”, e acompanhado por instrumentos de percussão étnicos como o berimbau brasileiro, o tambor falante de África e as tablas indianas. O Sol e a Terra a dançarem um com o outro.

Texto retirado daqui.

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setembro 19, 2006

Depois digam que não avisei 



A 8 de Novembro na abertura do Guimarães Jazz e no dia seguinte na Culturgest (apressem-se!), Wayne Shorter y sus muchachos de visita ao rectângulo, para deleite de uns quantos privilegiados (euzinho incluido)!

Para almas mais sedentas de liberdade criativa, a não perder em Guimarães:
Abdulah Ibrahim Trio no dia 11 de Novembro e Charlie Haden Liberation Music Orchestra a 18...
para um mundo melhor!

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agosto 04, 2006

a diva e o pianista (post editado) 



Em memória de Elisabeth Schwarzkopf, ouvir o lirismo e a vivacidade dramática da diva sobre o piano do grande Edwin Fischer.


Na habitual coluna no Público (link não disponível), Augusto M. Seabra afirma:
"Nela imperava a pose, a ponto de a sofisticação a fazer mesmo perder-se. O seu Schubert, por exemplo, é controverso, e os famosos 12 "lieder" gravados em 1952 com Edwin Fischer são-o particularmente - e sou um dos que acham essa gravação insuportável, por causa dela. Mas era a classe, a classe que em todos os sentidos a definia."
Pois. Critique-se a sugestão dos 24 "lieder" de 1954, ou os "12" de 52, A Voz é a mesma. Por isso mantenho a homenagem. Obviamente.

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agosto 03, 2006

Sob o signo de John Coltrane * 


Em ano de homenagem a Mestre Coltrane, o destaque óbvio do Jazz em Agosto-2006 vai para o sexteto do virtuoso saxofonista Anthony Braxton, que actuará na última noite, dia 12.



Em minha opinião, o Festival tem vindo a perder algum fulgor, depois de nas décadas de 80 e 90 ter trazido pesos pesados como Jan Garbarek Quartet, 1987 / Ornette Coleman e "Prime Time Band", 1988 / Branford Marsalis Quartet, 1990 / Don Byron Quartet, 1991 / Steve Coleman & Five Elements, 1992 / Dave Holland, 1992,1997 e 1999 com John Scofield e Joe Lovano / Max Roach Quartet, 1995 / Terence Blanchard Group, 1996 / Bobby Hutcherson Quartet e Branford Marsalis, ambos em 1998.

A quem gosta de jazz, recomendo a apreciação que o meu homónimo António Branco faz no excelente Improvisos Ao Sul.

* post editado em 20060817, para sublinhar o artigo A permanente actualidade da obra de Anthony Braxton de MJV, no DN

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agosto 02, 2006

Alla Turca (Allegretto) 

Wolfgang Amadeus Mozart - The Piano Sonatas
Maria João Pires, piano
Deutsche Grammophon

Maria João Pires terá as suas idiossincrasias e tal como eu, por vezes, não gosta do país que vê.
Por isso os seus estados de alma têm impacto em aguns espíritos inquietos, que episodicamente saem em defesa da cultura do subsídio, para o que utilizam apenas uma mão estendida.
Não porque entenda que haja alguém acima da crítica, mas porque o virtuosismo e a delicadeza de MJP a colocam no restrito número dos pianistas realmente excepcionais, permito-me sugerir que ouçam a Sonata para Piano No.11 -"Alla Turca" tocado a duas mãos. Sem qualquer reverência.

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julho 26, 2006

O acordeonista que vem do frio 



Os KTU, de Kimmo Pohjonen, Samuli Kosminen e dois ex-King Crimson, actuam esta noite na Cidadela - Cascais, no âmbito da terceira edição do CoolJazz Fest.

O virtuoso acordeonista volta a Portugal para proporcionar aos apreciadores um serão musical... diferente.

Música díficil de definir, esta, cujas sonoridades atravessam o jazz e a electrónica.
Um desafio aos sentidos.

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maio 05, 2006

Issue 1 - Jazz Store Fest 

A Trem Azul, património da Sétima Colina, organiza o seu primeiro festival de jazz, dedicado à música de improviso. Não aconselhável a quem ainda não se habituou a gostar de jazz.


O Programa completo, aqui.

Dia 5 -


L.I.P ( Lisbon Improvisation Players)
Rodrigo Amado - saxofone alto e barítono
Pedro Gonçalves – contrabaixo
Acácio Salero - bateria





Dia 11
Double Bind Quartet
Vitor Rua – baixo, guitarra

Carlos Zingaro– violino
Luís Sampayo – bateria
Vera Mantero – performance, voz



Dia 12

Alipio C Neto Diggin’ Quartet

Alipio C. Neto – saxofones, melódica e percussões
Gonçalo Lopes – clarinete baixo
Ben Stapp – tuba
Rui Gonçalves – bateria, guitarra





Dia 13
V.G.O ( Variable Geometry Orchestra)
Ernesto Rodrigues - violino, viola , direcção
Pedro Costa - violino
Guilherme Rodrigues - violoncelo
Hernâni Faustino - contrabaixo
Sei Miguel – trompete de bolso
Eduardo Chagas - trombone
Bruno Parrinha - clarinete, clarinete alto
Nuno Torres - saxofone alto
Rui Horta Santos - saxofone tenor
Luís Lopes - guitarra eléctrica
Jorge Trindade - cassetes
Adriana Sá - harpa brasileira, electrónicas
Carlos Santos e Rafael Toral - electrónicas
Miguel Martins - melódica, xylofone, percussão
César Burago - percussão
José Oliveira - bateria, guitarra acústica

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abril 30, 2006

Ena, tantos gajos bons! 


Alone Together: The Best of the Mercury Years


Clifford Brown - trompete
Max Roach - bateria
Sarah Vaughan, Helen Merill, Abbey Lincoln - vozes
Harold Land, Sonny Rollins, Paul Quinichette, Hank Mobley, George Coleman, Stanley Turrentine - sax tenor
Jimmy Jones, Bill Wallace,
Richie Powell - piano
Danny Bank - sax barítono
Kenny Dorham, Booker Little, Tommy Turrentine - trompete
Julian Priester - trombone
Ray Draper - tuba
Herbie Mann - flauta
Barry Galbraith - guitarra
George Morrow, Joe Benjamin, Milt Hinton, Nelson Boyd, Art Davis, Bob Boswell - baixo
Roy Haynes e Osie Johnson - bateria
The Boston Percussion Ensemble






Gravado entre 1954 and 1960, o primeiro cd contém um mix de originais de Clifford Brown, com standards eternos como "September Song"; o segundo disco resume um showcase de Max Roach.

Dos samples, que se podem ouvir aqui, destaques para "What's New", "What Am I Here For?", "Jordu", "Star Dust" e o vibrante "Blues Walk".

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fevereiro 11, 2006

O Agente Triplo 

Depois de Patricia Barber, nova romaria ao CCB, desta vez para ver Brad Mehldau Trio.

Praticamente duas horas e meia de jazz, num concerto desde já candidato a um dos melhores do ano;
Culpa de Mehldau, ao tocar para uma plateia algo estranha, que o obrigou a voltar três vezes ao palco!

Anunciado como estando esgotado, o concerto, patrocinado por um fabricante de automóveis, deu nisto: convidados a deixarem os lugares vazios, outros a chegar já com os músicos a tocar, um forçado intervalo para bebericagem, ou ainda, a cada um dos encores, a sala ir ficando com imensas brancas...

Mehldau é um grande compositor e intérprete. Acompanhado de Larry Grenadier, brilhante no contrabaixo e Jeff Ballard, cuja bateria por vezes me pareceu excessivamente carnavalesca, o Trio não merecia este comportamento por parte do público.



Mais sobre Mehldau, neste artigo da Down Beat Magazine e na entrevista concedida à All About Jazz.

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fevereiro 04, 2006

Jazz de Itália em Lisboa 



Trio de Aldo Romano
Danilo Rea, Piano
Remi Vignolo, Contrabaixo
Aldo Romano, Bateria


Hoje às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, em colaboração com o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa.

O Programa do Concerto, aqui.

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